Segundo relatórios divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU), a população mundial deverá atingir 9,6 bilhões de pessoas em 2050. Mais da metade do crescimento populacional nos próximos 33 anos deve ocorrer na África, com a projeção de que a população de 28 países do continente africano duplique. A projeção é de que a população da Nigéria, por exemplo, ultrapasse a dos Estados Unidos em 2050. Na Ásia, a Índia deve ultrapassar a China, em 2028, no ranking de países mais populosos.
Algumas questões e algumas perguntas se impõem. Haverá alimento disponível para 9,6 bilhões de pessoas? Haverá logística para atender a consequente demanda?
Para alimentar essa população, a produção de alimentos deverá aumentar em 70%. A produção anual de cereais terá que atingir 3 bilhões de toneladas, o que é muito superior ao atual “plateau” de 2,1 bilhões produzidos anualmente. Será necessário incrementar produtividade, aumentar a área cultivada e, principalmente, reduzir perdas, especialmente na pós-colheita.
Em área ocupada, o trigo é o cereal mais cultivado no mundo, com 220 milhões de hectares, seguido do milho, do arroz e da cevada, com 185, 170 e 50 milhões de hectares cultivados por ano, respectivamente. Nas quantidades produzidas estão o milho, o trigo, o arroz e a soja, nessa ordem, com 985,4, 716,1, 477,3 e 304,7 milhões de toneladas. Se, por um lado, aumentar essas produções significa um desafio gigantesco, por outro lado, preservar quantitativa e qualitativamente tudo isso, de modo a atender a segurança alimentar, exigirá esforço ainda maior.
E a situação no Brasil, um dos grandes celeiros do mundo, como está? Muitos estudos estão sendo realizados para avaliar perdas na pós-colheita de grãos, tanto no Brasil como no exterior. Atualmente, estima-se que nos países desenvolvidos as perdas sejam inferiores a 10%, enquanto nos países em desenvolvimento estas perdas podem chegar a 50%, segundo as mesmas fontes. No Brasil, esses dados começam a ser avaliados com métodos científicos, realizados por instituições selecionadas por órgãos como CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) e CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e tecnológico). O Labgrãos é uma delas.
O Brasil contribui significativamente com a produção mundial destes grãos e contribuirá cada vez mais. Por isso, há de se fazer a lição de casa e reduzir as perdas na pós-colheita de grãos. Os principais gargalos para a ocorrência de perdas significativas na pós-colheita são o déficit em capacidade estática de armazenamento de algumas regiões, a falta de conhecimento tecnológico sobre o manejo das operações de pré-armazenamento e armazenamento de grãos, a infraestrutura precária de escoamento da produção em muitas regiões, desequilíbrios regionais entre quantidades produzidas e capacidade de armazenamento, debilidades nas políticas integradas de produção, armazenamento, transporte e consumo, agravados por uma dificuldade cultural histórica: a falta de uma compreensão maior do que significam cadeias produtivas, onde se dá mais atenção para a etapa de produção do que depois que ocorrem as colheitas.
Conforme estimativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), pouco mais de 10% das unidades armazenadoras estão distribuídas nas propriedades rurais. Com isso, por exemplo, produtores pagam mais caro pelo frete, não aproveitam os resíduos de pré-limpeza para alimentação animal e deixam de vender os grãos na entressafra, quando geralmente os preços são mais atrativos.
O Labgrãos lançou neste 2017 o “Programa de Redução de Perdas”, visando auxiliar as cadeias produtivas de grãos para reduzir tanto as perdas quantitativas como qualitativas na pós-colheita. O Programa engloba realização de pesquisas; treinamento de operadores de armazéns e de equipes de laboratório das unidades armazenadoras; acompanhamento de secagem e ajustes no manejo operacional para redução de perdas; elaboração de curvas de calibração de medidores de umidade; assessoria na etapa de carregamento de silos e armazéns graneleiros; desenvolvimento de protocolos operacionais; acompanhamento da termometria e gerenciamento de aeração em silos e armazéns graneleiros; amostragens em silos e graneleiros para acompanhamento da qualidade dos grãos armazenados; e estudos de caso e consultorias específicas.